
Módulo I
--- NATUREZA E CARACTERÍSTICAS DA INVESTIGAÇÃO CIENTÍFICA ---
O Módulo I decorreu entre os dias 14 a 25 de Novembro de 2016.
Neste primeiro Módulo deparámo-nos com três conceitos muito importantes - Investigação científica, Ciência e Conhecimento científico - Ora, esmifrando um pouco estes conceitos começamos com ciência, pois os outros contextos circulam em volta desta primeira palavra-chave. Segundo o Dicionário Online da Porto Editora - infopédia - Ciência significa "conjunto sistematizado de conhecimentos obtidos mediante observação epesquisa metódica e racional, a partir dos quais é possível deduzir fórmulasgerais passíveis de aplicação universal e de verificação experimental", ainda assim e se quisermos encontrar uma palavra sinónimo desta palavra basta recorrermos ao latim da palavra, scientia, que significaconhecimento. A ciência é tantas vezes titulada de verdade absoluta, para além disso, existem diversos tipos de ciência: ciências sociais, humanas, ocultas, humanas, exatas, tecnológicas, educativas. Enfim, existe todo um Mundo em torna das Ciências. Sem a Ciência seríamos, com certeza, pessoas muito mais ignorantes e desvinculadas da realidade.
Então se Ciência também significa conhecimento, o que significará Conhecimento científico? Significa que é um conhecimento analisado e investigado até ao máximo através de métodos científicos. Se quisermos encontrar um antónimo deste conceito poderemos associar o conhecimento de senso comum, ou seja, um conhecimento que não está comprovado, analisado e investigado, mas sim um conhecimento geral sobre uma determinada temática. Há uma expressão bastante engraçada e curiosa que demonstra que conhecimento científico e ciência andam de mãos dadas, como se tratassem de dois conceitos, sensivelmente, interligados. A expressão é: (o conhecimento científico é o) "caminho através do qual se faz ciência" (Bailly,1950. In, Siqueira, F., Mertens, R., Fumanga, M. & Benevento, C. 2008. P. 3).
Por fim, a Investigação científica é uma forma de conhecimento, ou seja, é através do conhecimento que fazemos investigação, por sua vez é através do conhecimento científico que fazemos investigação científica. E nela também podemos encontrar especificações, exemplo disso, é a investigação científica na educação. Ela é singular, ou seja, é portadora de características muito específicas, que se devem à complexidade daquilo que é a Educação. Estas são palavras minhas, mas fundamentadas em João Amado (2013), quando refere "investigar em educação não é o mesmo que investigar numa área qualquer do social, devido à especificidade do fenómeno educativo".
Ainda assim, e em qualquer que seja a temática da investigação científica existem sempre diversos paradigmas existentes, que traçam caminhos diversos e distintos, ou seja, um investigador define qual o seu paradigma. No caso da educação, pode-se traçar três planos diferentes. Segundo João Amado (2013) esses paradigmas são: filosófico, praxeológico e científico. De acordo com Bodgan e Biklen (1994) "um paradigma consiste num conjunto de asserções, conceitos ou proposições logicamente relacionadas e que orientam o pensamento e a investigação. (...) Os bons investigadores estão conscientes dos seus fundamentos teóricos, servindo-se deles para recolher e analisar dados" (In, João Amado, 2013, p. 29)
Largando agora os conceitos-chave que retirei deste primeiro módulo e, que considero pertinente para perceber mais sobre a Investigação e, consequentemente, sobre a Investigação científica passo a referir alguns apontamentos que fiz no decorrer das sessões:
Estes apontamentos vão ao encontro, mais uma vez, o que é isto da investigação? Ora, investigar, na minha ótica, é ir em busca do desconhecido, é ir em busca de uma nova realidade, é ir ao alcance de novas perspetivas, abordagens e de novos saberes. Investigar requer um tema, uma abordagem, uma escolha ou uma problemática. Essa problemática permite-nos criar questões de orientação para a investigação, tornando-se assim objetivos que queremos alcançar. Após a problemática selecionada passamos à fase de planeamento, que consiste na parte central da investigação, o plano de investigação, em que abordamos o objeto de análise, onde definimos a metodologia a investigar, os instrumentos que iremos utilizar, os modelos que seguiremos e que servirão como guias orientadores. E por fim, passamos à fase da execução, que corresponde à parte de recolha, análise e interpretações de dados, nesta fase, contamos com resultados e análises obtidos durante todo o processo de investigação, para que tenhamos capacidade de aplicar, intervir e criar. Então, aquilo que aprendi é que há três fases crucias numa Investigação, seja ela qual for: Problemática - Planeamento - Execução.
Em suma, confesso que considero todo este tema bastante complexo, mas um tanto interessante, pois permite-nos conhecer passo a passo o processo de uma investigação, que pode demorar um mês, seis meses, um, dois, três anos a investigar, cada temática tem o seu rigor, a sua especificidade, o seu cuidado, os seus critérios, o seu espaço e o seu tempo. Investigar, certamente, é uma competência que se vai ganhando experiência após experiência. Julgo que não é uma competência ganha de um momento para o outro e, isso deve-se à sua natureza e à sua complexidade.
Mas verdade seja dita, somos todos um pouco investigadores ou não?
Referências bibliográficas:
Amado, J. (2013). Manual de Investigação Qualitativa em Educação. 1.ª Parte - Fundamentos da Investigação Qualitativa em Educação. (pp. 11 - 26). Imprensa da Universidade de Coimbra.Siqueira, F., Mertens, R., Fumanga, M. & Benevento, C. (2008). Capítulo I: do conhecimento científico e pesquisa acadêmica. Como elaborar um projeto de pesquisa: linguagem e método.